quarta-feira, 30 de março de 2011

Eliana Lima




1. Eliana Lima por Eliana Lima? Poucos e bons amigos. Prioridade é a família. Viagem preferida é para o Sul. Música preferida é a nativista, que faz pensar. Eventos culturais como teatro, festival de música, palestras sobre história, apresentações musicais de qualidade. Livros sobre história regional, história brasileira, romances ambientados no sul do Brasil, lendas e causos serranos. Fazenda da Ferradura nos finais de semana. Prestigiar o que é nosso. Ainda acredito que a educação pode transformar a sociedade. E procuro fazer minha parte.

2. Como é ser filha do Tio Beja, você leva tranquilamente a responsabilidade de seguir as boas referências do seu pai? Digo tomou pra si essa responsabilidade? É uma honra. E me sinto realizada por não estar imitando meu pai, mas sim aplicando aquilo que ele me ensinou a vida inteira, através de ações e exemplos. Ambos trazemos este sentimento de responsabilidade de compartilhar o que sabemos, de agir quando temos condições e deixar o mundo melhor do que o encontramos. São épocas diferentes, mas me parece que as lidas são as mesmas. E como estamos sempre em família, minha realização estará completa se um dia meus filhos mostrarem a mesma inquietação diante da ignorância e a mesma vontade de colocar mãos à obra e compartilhar o que sabem em prol da sociedade em que estiverem inseridos. A preservação do ambiente, da história, das origens, dos valores, é a nossa satisfação.


3.Como nasceu o Corredor de Canto e Poesia? O Corredor de Canto e Poesia foi idealizado por um grupo de amigos, Cassiano Eduardo Pinto, Giancarlo Orsoletta e Ramiro Amorim, a partir de festivais que já aconteciam no Rio Grande do Sul, nestes moldes, como o Festival da Barranca. Como a ideia é fazer uma oficina de criação musical, onde se escolhe um tema e se tem um tempo limitado para desenvolver e apresentar, o ideal era que o encontro fosse realizado numa fazenda. Aí, a convite destes amigos, o Tio Beja passou a fazer parte do grupo, oferecendo a estrutura da Fazenda da Ferradura, onde por cinco anos a família sempre teve orgulho em receber e ver crescer e aflorar a cultura , unindo gerações em torno da música nativista. Hoje a Associação Corredor Cultural Nativista é responsável pela manutenção do festival, que desde 2006 vem acontecendo na Fazenda Santo Antonio, da família Zago. E considero este movimento importantíssimo, um marco no desenvolvimento qualitativo da música serrana. Podemos dizer que hoje nossa música tem uma identidade própria. Sem contar a oportunidade de aprendizado e crescimento profissional na área musical, dando a oportunidade a nossos jovens músicos de participarem como iguais nos maiores festivais nativistas do sul do Brasil.


4.Você poderia comentar um pouco sobre a trajetória das comemorações farroupilhas em Lages, o que você lembra e quando você começou a participar ativamente e depois como coordenadora. Eu lembro de quando era criança, às vezes via na praça algo como um acampamento, pessoas chimarreando, discursos falando da Revolução Farroupilha. Às vezes um grupo ia a cavalo buscar a chama crioula na divisa com o Rio Grande, traziam para a praça, faziam a guarda do fogo. Não lembro que houvesse baile por esse motivo. Anos mais tarde lembro que havia divisão: um CTG fazia algum evento farroupilha, o outro fazia em outro local, mas não como parceiros, e sim como rivais. A comunidade passava torcendo o nariz, sabendo sim do que se tratava, mas em sua ignorância achando tudo uma "grossura".O que lembro de mais negativo foi um ano em que um grupo preparou uma comemoração na rua Correia Pinto, em frente ao Clube 14 e outro grupo comemorou no calçadão, fazendo questão de mostrar que eram comemorações separadas. Pra quê? Acho que foi por essa época que tudo acabou, pelo menos publicamente, a partir daí quando havia alguma comemoração era interna em cada associação, CTG ou entidade, pois as pessoas que conheciam a história sempre procuravam fazer alguma coisa para lembrar. Acompanhei alguns eventos em outras cidades, grandes desfiles de rua, grandes bailes, grandes cavalgadas. Sempre admirei esse respeito que os gaúchos tem por sua história e por seus heróis, mas por gostar de ler e pesquisar, cada vez mais fui ficando indignada com o fato de nós, catarinenses, desconhecermos nossa história, nossos heróis. Então em 2006 um amigo, Ronald Aquino, professor na Uniplac, resolveu fazer no Centro Acadêmico um evento que comemorasse o dia do Gaúcho, 20 de setembro. Convidou o Leduvino Ramos, o Aldo Ramos Martins Neto e eu para darmos uns palpites e ajudá-lo na empreitada. Gostamos tanto que no ano seguinte e no outro estávamos lá de novo, ampliando a programação, reunindo amigos, contando a história, levando para diversos pontos da cidade os artistas, os palestrantes, os voluntários, o chimarrão, as bandeiras, o orgulho de sermos serranos, de termos uma heroína do quilate de Anita Garibaldi, de termos nossos ancestrais lutando como farrapos ou como imperiais, defendendo cada um seu ideal de liberdade, de termos episódios que passaram para a posteridade, como a batalha do Passo Santa Vitória, da identidade lageana dos Bois de Botas e tantas outras histórias. A última edição, em 2010, reforçou a idéia de que a Revolução Farroupilha em Lages é uma história de todos, não só dos tradicionalistas. É uma crença comum entre mim, o seu Leduvino e a Giórgia Bianchini Vaz, que veio agregar sua experiência, de que precisamos contar essa história ao maior número de pessoas possível, principalmente à nova geração. Ninguém gosta do que não conhece. Tivemos a satisfação de contar com o apoio incondicional do poder público e de diversas entidades que confiaram em nós e na finalidade do evento apoiando e fazendo parcerias. E foi maravilhosa a participação dos cavaleiros no evento de abertura, no Parque de Exposições. Entrou pra história!


5.Fala um pouco sobre o Conselho Municipal de Cultura em Lages. Aqui temos um grande incentivador da cultura regional, que é o Gilson Máximo de Oliveira, que desde o início levantou a bandeira, estudou, pesquisou, formalizou tudo de acordo com as orientações do MINC e a parceria da Fundação Cultural de Lages. Não podemos exigir que esses primeiros conselheiros eleitos tenham todas as soluções para a falta de apoio e de conhecimento cultural do município, mas podemos pelo menos torcer que acima de interesses particulares consigam enxergar um futuro de união entre os diversos setores e principalmente, buscar projetos que tenham alcance sobre toda comunidade, visando a educação e o desenvolvimento cultural.


6.Projetos para a comemoração farroupilha desse ano? Tenho a felicidade de informar que a comissão organizadora continua disposta a enfrentar esta maratona que é organizar um evento educativo e cultural para a comunidade e que já estamos sendo abordados por diversas pessoas, nos cobrando a continuidade da ação. Isso é muito gratificante. Assim como é gratificante ver todos os nossos CTG's unidos num mesmo evento. Claro que já temos um projeto, que tende a crescer ano a ano para que seja sustentável, formando um público consciente e trazendo crescimento cultural, educacional, econômico e turístico, por que não? E me parece que já podemos contar com nossos apoiadores de sempre. É só aguardar o lançamento da programação, que vem com inovações, como o desafio aos CTG's de mostrar suas habilidades artísticas de maneira diferente daquela apresentada nas competições de rodeios, porque apesar de a história pertencer a todos, ainda são os CTG's os seus guardiões e estão aptos a ensiná-la de forma lúdica. Assim como a Via Gastronômica ensinou a história através da culinária em 2010. Aguardar e participar!

7. Como você vê o cenário musical na serra catarinense, a sapecada da canção e da serra, as novidades no regulmento esse ano, inscrições online, as músicas disponíveis no site, a ida da sapecada da serra para domingo. Como falei antes, vejo o Corredor de Canto e Poesia como o grande incentivador e fomentador do crescimento musical da serra, aliado ao grande desafio que é chegar ao palco da Sapecada. Surgiram outros festivais na região como a Nevada da Canção, a Sesteada da Canção, a Ronda da Canção... É um orgulho ter músicos lageanos competindo de igual pra igual num festival desse nível. Falar em nível, é falar do mérito das dezenas de voluntários que ano a ano ajudam a recepcionar, organizar e realizar em conjunto com a Prefeitura Municipal um dos festivais mais bem conceituados no sul do Brasil, desde a premiação até a hospitalidade. A tradição não exclui a tecnologia, pelo contrário, ela é um instrumento importante de divulgação e comunicação. Devemos saber de onde viemos e conhecer o caminho moderno que nos leva ao futuro, permitindo perpetuar aquilo que admiramos. Já tivemos um embate alguns anos atrás quando mudaram a Sapecada para domingo, segunda e terça, ao invés de sexta, sábado e domingo, então alguns vão espernear de novo por causa dessa mudança, mas eu e minha família e muitas pessoas que conheço vão à Festa do Pinhão somente nos dias da Sapecada, que é o que realmente traz cultura. Independente do dia da semana.


8. Roteiro turístico caminho das tropas fala um pouco pra nós como funciona e contatos. Hoje funciona só por teimosia da iniciativa privada. Operadores de turismo e fazendeiros que concordam em melhorar a estrutura de suas sedes para receber turistas do mundo todo. Ainda não temos estradas, placas indicativas, guias especializados, pontos turísticos bem equipados, informações turísticas eficientes. De uns 20 anos pra cá, pessoas como Laélio Bianchini e Robério Bianchini viram o potencial turístico da Coxilha Rica e o potencial histórico do Corredor das Tropas e vem trazendo turistas (a cavalo, porque de carro é só pra passar vergonha) do Brasil e da Europa para passar dias cavalgando entre campos e fazendas históricas, aprendendo sobre a história da região, coisa que muitos de nós não conhecemos e estamos aqui, bem pertinho. Algumas vezes com apoio dos órgãos municipais, outras sem apoio nenhum. Mas essa questão de divulgar nossa história através de eventos como a Semana Farroupilha, o Rodeio da Integração Crioula ou mesmo as músicas da Sapecada, vem despertando projetos que logo, logo sairão do papel e trarão turismo e desenvolvimento econômico às comunidades rurais. As pessoas tem que conhecer a história de seus antepassados para poder admirá-la e contá-la aos visitantes. E em outros idiomas. Há muita propaganda em torno da Coxilha Rica, porém, os turistas chegam e encontram o que? Cadê a estrutura de recepção, de roteiro, de visitas guiadas, de vendas de produtos regionais, de apresentação artística cultural e regional? Mas quem duvida do que estou dizendo, pode acessar www.gauchodobrasil.com e www.coxilharica.com.br

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Aluísio Rockembach

1.És natural de onde? Idade?
Sou natural de Pelotas, tenho 30 anos.


2.Qual sua relação com o campo, cavalo e a cidade?
Minha vida inteira foi relacionada ao campo, jamais deixarei de observar,viver e aprender com tudo que o cerca, mas procuro salientar sempre que minha arte é a música, é essa minha profissão!

3.Suas referências e influências de vida (música, literatura, pessoas)?
Música- Raul Barboza. .Literatura- tudo que tenha ligação com música. Pessoas- Meus Pais.


4. O que te fez escolher a música?
Penso que foi ela que me escolheu!

5. Como começaste sua relação com a música, com a composição, a gaita foi sua primeira opção de instrumento, a inclinação para a música é de família? Tudo começou quando meu irmão Sandro Rockembach ganhou um acordeon do nosso avô Breno Rommel(in memorian) que queria ver ao menos um neto tocar o instrumento pelo qual era encantado.Então meu irmão começou a fazer algumas aulas e aprendeu a tocar, mas em seguida interessou-se pelo violão e pelo canto deixando o acordeon um pouco de lado...Foi quando abracei a “gaitinha piano”com aproximadamente 13 anos, e digo com muita sinceridade que não tive escolha, pois ela também me abraçou!

6.O que te incentiva continuar?
O respeito e o carinho do público com meu trabalho.

7.Como te imaginas daqui a algum tempo dentro cenário musical?
Procuro pisar firme, um passo de cada vez...daqui a algum tempo quero ter aumentado a distância.

8.Inspirações para compor? Tens algum ritual que te ajuda a compor?É mais fácil compor a música sem a letra ou vice-versa, e quando a música está pronta é tranqüilo adaptar a letra ou é melhor fazer outra música para essa letra?
Não tenho dia nem hora para compor, a música pra mim tem que vir ao natural, se fazendo presente a qualquer momento...Costumo compor só depois que tenho a poesia em mãos.

9.Tem alguma música que gostaria de ter feito e não fez, e o que fizeste e tens um carinho especial?
Não, todas as músicas que componho tem um significado próprio, portanto por cada uma tem um carinho diferente e especial.

10.O que almeja que sua música alcance?
É ela quem decide!!!

11.O que tem ouvido mais nos últimos tempos?
Procuro ouvir vários gêneros, tento entender e aprender com tudo...A música é uma viagem, tenho embarcado com Daniel Mille, Fito Paez, Cidadão Quem, Cold Play, Jason Mraz, Piazzolla, Jorge Nasser,Vitor Ramil, entre outros.

12.Show que foste - livros que têm lido?
Fui num show do Pouca Vogal formado por Duca Leindecker e Humberto Gessinger, muito bom, “diferente”. Também tive a oportunidade de assistir ao espetáculo de Raul Barboza e entregar pessoalmente o disco Santa Flor, no qual faço uma homenagem a ele que para mim é o máximo do chamamé.Tenho lido muitos livros de culinária, adoro improvisar na cozinha...(risos)

13.Como vês a influência da música da região do Prata na música nativista? E fala um pouco da tua intimidade com essa música?
Muito presente mas pouco compreendida.Tento me aproximar cada vez mais, é através do chamamé que consigo expressar-me na maioria das vezes,é uma busca constante!

14.Apresentar-se em teatro é diferente de um lonão ou um galpão, explica as sensações de apresentar-se em lugares tão diferentes?
Procuro fechar os olhos e deixar acontecer...”Quem faz o lugar é o público”.

15.Como encaras esse meio ao mesmo tempo aberto, democrático, mas também bastante criticado por certa impressão de “panelas” dos festivais?
Encaro ele aberto, democrático e paneleiro...vai depender da comissão organizadora e da escolha dos jurados.

16.Como consegue conciliar a agenda de apresentação com o Marenco e a carreira solo e a vida particular?
É difícil, as vezes preciso de outro profissional para me substituir nas apresentações com o Marenco.Minha vida particular é tranqüila, minha família compreende que a profissão de músico é sem rotina e bastante corrida.

17.Vencer o bairrismo é algo que inevitavelmente, acontecerá...ou achas que não existe essa diferenciação de estados? Acreditas que algum dia a música mais trabalhada (gaúcha/nativista) alcance um respaldo maior dentro do cenário musical brasileiro?
Nossa cultura é muito forte, com muitas particularidades, acho difícil o resto do país entender sem aprofundar-se.

18.Como vê a renovação da cultura?
Confusa.

19.O que pensas sobre a realização de festivais fechados, achas que seria possível fazer um festival apenas de música nativista instrumental, que pensas sobre isso?

Esta aí uma bela idéia, um incentivo a mais para a música e para os músicos, “um encontro para criação da poesia oculta que existe na música instrumental”, maravilha!

20. Como nasceu “Santa Flor”, quem fez a arte do CD (belíssima por sinal) entre tantas fotos como escolher aquelas, entre tantas músicas por que aquelas foram eleitas? Santa Flor veio até mim através de um pássaro,mais precisamente um beija-flor, que insistia em pairar sobre uma flor sempre que eu tocava meu acordeon na cozinha da chácara da minha família, então percebi que ele precisava das flores não somente para completar a beleza do momento, mas para sua vida inteira. Desta maneira nasceu Santa Flor, um trabalho com todo espírito e carinho dos amigos, músicos e da minha família, pessoas que quero e preciso para minha vida inteira. A arte foi criada pela designer Margareth Kohlz, uma pessoa de muita sensibilidade. As fotos foram feitas depois do disco estar gravado com a idéia de ilustrar algumas músicas. Os temas do disco foram eleitos porque procuro observar tudo e todos quando componho, cada detalhe tento transformar em música e entregar para as pessoas.

21.Como é para ti saber que sua música ganha fronteiras além de RS, como é ver seu trabalho sendo reconhecido por colegas, críticos e pelo público?
É muito gratificante saber que a música tem o poder de ganhar o mundo e fazer parte da vida das pessoas.

22.Qual é a melhor coisa do ambiente dos palcos, dos festivais, rodeios...?
Quando estou tocando!

28.Como vês a divulgação que é feita das músicas em geral, dos festivais? Rádios, gravadoras?
Acho pequena perto da grandeza que é a música regional.

23.Em linhas gerais como avalia a tua imagem e responsabilidade sendo uma pessoa pública e voz para sentimentos de muitas pessoas?
De muita sinceridade e transparência,sou o mesmo em cima do palco e fora dele!

24.Que times torces, comidas, bebidas?
Coloradooo, “Todas que tenham bastante tempero”,Cerveja,de preferência “Abadessa”.

25.O que te faz sentir de alma lavada?
Orar.

26.O que te faz sentir-se mal?!
Injustiça.

27.Fala um pouquinho da tua vida paralela à artística?!
Estou no último semestre do curso de Produção Fonográfica na Ucpel, quando sobra um tempo entre a faculdade e a música, gosto de praticar esportes como correr,nadar,surfar e jogar futebol.

28. Como é essa convivência com o Marenco de tantos anos, tanto tempo juntos na estrada?
O Marenco é um amigo que virou irmão! Onde acima de tudo prevalece o respeito,confiança e admiração.

29.Sua relação com a internet?
Sem muita intimidade,somente o necessário.

30.Como vês a relação da música nativista com as rusgas das entidades tradicionalistas ? Não vejo, tenho tempo pra isso, procuro não olhar para os lados pra não perder a direção!

31. Santo de casa faz milagre? Não.

32. Planos pro futuro? Seguir plantando!

33. Mensagem para as pessoas que admiram seu trabalho?
Obrigado por todo carinho e confiança, vocês são o sentido real da minha música... Cristo Vive.


Todas as fotos são do site:
www.aluisiorockembach.com
Créditos: Alisson Assumpção

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Fabiano Bacchieri

1. És natural de onde, idade?

Sou Natural de Canguçu, RS nascido em 8 de outubro de 1966 – 43 anos.


2.Qual sua relação com o campo, cavalo e a cidade grande?
Durante muito tempo convivi diretamente com a meio rural, trabalhei por muito tempo com cavalos (basicamente na doma) e sempre mantive relação estreita com o campo. Hoje estou indiretamente ligado, não atuo profissionalmente na área mas ainda convivo muito com gente de campo. Não gosto da cidade.

3.Suas referências e influências de vida (música, literatura, pessoas)?
Na Música fui profundamente influenciado por Noel Guarani, hoje são vários os nomes...na literatura gosto de tudo relacionado à história Rio-grandense e a poesia gaucha de uma maneira geral; um livro que me marcou muito se chama Tacuruses, de Serafin J Garcia, que ganhei de presente do Marenco.

No l'importe, m'hija, qu'el pago mermure
y ensucén su nombre los que la cren mala.
¡Más piores son esas que matan sus crías
pa poder asina seguir siendo honradas!

Cuando nasca su hijo, ¡que lo sepan tuitos!:
¡mamará en sus pechos, dormirá en su falda;
será su cachorro nomás, ande quiera,
pues ser madre, m'hija, no es nunca una falta!

Quanto às pessoas...todas aquelas que me ajudaram a clarear a idéia e a solidificar minha ideologia.

4.Como começaste sua relação com a música, com a composição?
Comecei a tocar violão em São Lourenço do Sul com 11 anos...mas entrei no meio musical gaúcho com 16, no tempo dos primeiros festivais, quando a música gaúcha ainda era pouco divulgada (não que hoje seja muito...) junto com o Joca o Negrinho o Fernando fundamos o grupo Ontonte e fomos tentiando os festivais...demorou...mas deu certo. Todos eles hoje são artistas renomados no nosso cenário musical.

5.O que te fez escolher a música/ poesia nativista?
Complicado responder...na verdade não sei...veio ao natural, talvez pelo meio em que vivi.

6.O que te incentiva continuar compondo?
Gosto de fazer isso, me agrada que a nossa música esteja crescendo e sendo valorizada. Acho que isso é o que mais me incentiva, ver a música gaúcha crescer!

7.Como te imaginas daqui a algum tempo dentro cenário musical?
Mesma coisa...não tenho visões futurísticas, vivo o presente.

8.Os sacrifícios que já fizeste pela música/poesia?
Sacrifício nenhum...faço com muito prazer.

9.Te arrependes de ter feito algo ou não ter feito pela música/poesia?
Na verdade não...acho que o que estou fazendo é o que posso e o que minhas limitações permitem.

10.Inspirações para compor? Tens algum ritual que te ajuda a compor?
Não...componho somente quando a letra me obriga a compor, não consigo fazer música encomendada...se não me agrada muito não sai nada, em compensação se me agrada, faço no instante que recebo, em qualquer lugar...

11.Tem alguma música que gostaria de ter feito e não fez, e o que fizeste e tens um carinho especial? Quantos e quais CDs já lançados?
Sim, Funeral de Coxilha do Serginho e do Marenco eu queria ter feito...que baita obra!

Tenho carinho por todas que fiz, mas uma das últimas, “Não era prá ser”, que não pude ir defender no Reponte e o Lisandro “matou a pau”, me arrepia até hoje, acho que por ter sido um fato acontecido com minha filha quando tinha 1 ano e pouco...não sei direito mas é especial demais; letra do Márcio e do Helvinho que fizeram quando contei o episódio. E o presente do Gujo e do Camargo “Os olhos do meu cavalo"... bhá muito boa! (as duas estão no Saludo).


São 4 trabalhos, “Mais pampa...menos povo” foi o primeiro, depois veio o “Marca” (ao vivo) depois, junto com o Márcio Corrêa, fizemos “Se indo pro campo” e agora “Saludo”

12.O que almeja que sua música/poesia alcance?
Gostaria que ela fosse mais escutada, tenho muito cuidado em escolher o que canto e normalmente são composições mais introspectivas isso dificulta um pouco, mas acho que devagar ela vai alcançando o seu espaço.

13.O que tem ouvido mais nos últimos tempos?
Pouca coisa...acompanho o trabalho dos amigos e não dispenso o folclore nunca...ultimamente Amalia de La Veja...bueníssima!!!

14.Show que foste - livros que têm lido?
Bhá....Show tá difícil de ir...normalmente só assisto os do Joca! Li nas últimas viagens todos do Dan Brown, me agradei!

15.Como vês a influência da música da região do Prata na música nativista? E fala um pouco da tua intimidade com essa música ?
Vejo altamente positiva para consolidar a música Rio-grandense, precisamos desse embasamento e da riqueza poética e musical para, como vem acontecendo, cada vez mais elevarmos o nível poético-musical da nossa região. O Rio Grande hoje possui sua própria linguagem e bate de frente com os países vizinhos, somos fruto de uma miscigenação e absorvemos tudo o que fala das nossas coisas, assim se deu com o chamamé, a milonga e certamente acontecerá com outros ritmos. Hoje existe o chamamé gaúcho, a milonga Rio-grandense, é a nossa maneira de tocar esses ritmos, isso deve ser respeitado e valorizado.

16.Conciliar carreira de poeta/músico com outra carreira?
Hoje, impossível.

17. Como foi tomar a decisão de deixar outro trabalho e fazer parte do grupo do Joca Martins, está gostando, fala um pouco da nova fase? Dá para conciliar shows e festivais?
Foi tranqüilo, estou gostando muito e a “Família Chucro Ofício” é especial!

O Joca conduz a sua carreira com muito cuidado e seriedade e isso nos dá segurança e credibilidade perante o público.

Quanto aos festivais, não é muito fácil...tem que se quadrar muita coisa...sorte de cair um show no festival e um do grupo ser jurado...ai dá prá tentar mandar música e ir, fora isso fica muito difícil. Não dá pra se compromissar com uma música e chegar uma semana antes e aparecer um show, este é o meu trabalho e vem em primeiro lugar, o festival depende de muita coisa mas sempre que posso vou, gosto muito do encontro, de compartilhar outras coisas, do assado no domingo, de ver a obra dos colegas, de ver o público vibrando com a música gaúcha!

18. Como encaras esse meio ao mesmo tempo aberto, democrático, mas também bastante criticado por certa impressão de “panelas” dos festivais? Premiações e ajudas de custo?
Não me incomodo com isso...Ajuda de custo o nome já diz...não precisa explicar, o problema é viver de festivais...ai tu tem que ir e ganhar se não, fica complicado.

Premiação é bom sempre...além dos pilas ela te impulsiona na mídia.

Quanto às “panelas”...se eu componho contigo, certamente é porque gosto da maneira que tu escreve, correto? Muito bem se tu manda uma letra para um festival que sou jurado ela certamente vai cair no meu gosto e poderá passar em uma triagem...isso é lógica. Não podemos confundir panela com gosto. Não mando música para festivais onde os jurados tem uma preferência musical muito distinta da minha...não vou passar nunca...e não posso dizer que é panela. É simples.

19.Vencer o bairrismo é algo que inevitavelmente, acontecerá...ou achas que não existe essa diferenciação de estados? Acreditas que algum dia a música mais trabalhada (gaúcha/nativista) alcance um respaldo maior dentro do cenário musical brasileiro?
Ué...já está acontecendo isso, Santa Catarina é um exemplo vivo e constante, não só consome como produz música regional, Paraná é outro, temos muitos shows por lá...isso vai acontecer na medida em que a nossa música for exposta, ela tem qualidade e respaldo para alcançar muita coisa, precisamos de tempo para que as pessoas conheçam mais...por exemplo: se chega a dar um “acauso” em que uma música de boa qualidade caia num rede de emissora nacional como, por exemplo, tema de um determinado personagem de uma mini-série ou novela ou sei lá o que...pode escrever que a coisa vai andar diferente. O que não pode é acontecer isso com uma música de baixa qualidade...ai se foi a gata com a cinta.

20.Quais festivais para ti foram mais especiais, qual ainda quer participar?
Acho que o Reponte e o Martim Feirão foram especiais pra mim....ainda quero participar de vários... Me agrado muito da Sapecada em Lages...na verdade quero ir a muitos!

21.O que pensas sobre a realização de festivais fechados, achas que seria possível fazer um festival apenas de música nativista instrumental, que pensas sobre isso?
Acho muito bom...é um laboratório, normalmente saem composições de fundamento nestes eventos. Festival de música instrumental é valido sim...seria uma maneira de impulsionar a musica instrumental, ela é riquíssima no estado e tem pouco alcance.
22.Como é a sua relação com os outros músicos de SC e RS?
Olha...não posso me queixar, consegui uma coisa que prá mim é muito importante, não tenho nenhuma relação ruim com nenhum músico, convivo, respeito todos e sinto que isso é recíproco. Me considero hoje como um músico que pode transitar livremente por qualquer lugar e sei que serei bem recebido.

23.Como é para ti saber que sua música ganha fronteiras além do RS?
Muito gratificante...

24.Como lida com o assédio que vem naturalmente como resposta ao trabalho que desenvolve? Como é tua relação com os fãs? O que mudou nesses últimos 5anos (data da entrevista anterior)?
Segue o mesmo baile!!! Bem mais conhecido hoje pelo trabalho que venho desenvolvendo com o Joca. Quanto ao “assédio”, tento tratar todos com o maior carinho possível, acho isso fundamental, e nunca tive problemas em relação a isso, sei separar as coisas...

25.Viver de música : utopia ou realidade?
Para mim...Realidade! 26.Qual é a melhor coisa do ambiente dos palcos, dos festivais, rodeios...?
Certamente o contato com as outras pessoas.

28.Como vês a divulgação que é feita das músicas em geral, dos festivais? Rádios, gravadoras?
Infelizmente fraca. Gravadoras nem comento....os festivais ficam limitados pois não comercializam os discos, e as rádios...as que tem alcance não dão a mínima...as pequenas ajudam...mas de uma maneira geral....fraquíssimo!

29.Em linhas gerais como avalia a tua imagem e responsabilidade sendo uma pessoa pública e voz para sentimentos de muitas pessoas?
É com o que mais me preocupo...mas penso que estou no caminho certo.

30.A ânsia andarilha faz parte desse mundo festivaleiro, que pensas sobre isso; estar sempre na estrada? Como fica o coração nesse caminho? A família? Os filhos já andam se aventurando no mundo artístico também?
Essa é a parte braba da coisa, sou muito caseiro e pouco andarilho...corpo na estrada e coração nas casa...isso me judia um pouco mas tem suas compensações...acredito que se não estivesse com pessoas muito especiais já tinha repunado o caldo!

A gurizada ta indo devagar...o Vinicius é muito musical...já toca um pouco de baixo e violão, o Felipe é consumidor ávido, 24 horas escutando alguma música, já ta cantando alguma coisa é do tipo que não vive sem música gaúcha. E a Helena no que fizer vai dar certo, canta, dança, toca...mas não forcejo muito...eles estão indo com as próprias pernas, apenas disponibilizo o material.

31.Acreditas que a música feita hoje sobreviverá à voracidade e volatilidade do mundo de hoje, resistindo e sendo lembrada daqui a algum tempo?
Sem dúvida!

33.Que times torces, comidas, bebidas?
Bãi...futebol não é comigo...não sei absolutamente nada...não gosto mesmo, parece que vai ter copa do mundo por agora...

Prá comer, carne, carne e um pouquinho de carne. (sou carnívoro ao extremo... é difícil me pegar com arroz e feijão passo tranquilamente 3 dias comendo só carne).

Bebida...canha temperada me agrada...cerveja tomo mas não sou muito fã, vinho quanto mais barato mais eu gosto...não sei tomar vinho, os que me dizem que são bom eu não gosto...e os que me dizem que são ruins eu normalmente gosto mais...sei lá...)

34.O que te faz sentir de alma lavada?
Hoje...sustentar a minha família com a música gaúcha!

35.O que te faz sentir-se mal?!
Discussões e brigas por motivos fúteis. (normalmente a culpa é minha)

36.Fala um pouquinho da tua vida fora dos palcos?
Casa! Adoro a minha casa e a minha família..., trabalho bastante com arte gráfica e computação, adoro juntar os amigos prá uma bóia, o Felipe tem a égua dele aqui pertinho...seguido to me aventurando na lagoa com um barquinho a vela, eu e a patroa, sou meio aquático, gosto de tudo relacionado a água, tanto que quando sai de fora morei na cidade por dois anos e disparei pro Laranjal, uma mistura de praia com cidade do interior e campo ao mesmo tempo...,muito bom!

37.Planos pro futuro?
Nenhum...só penso em viver a minha vida...não gosto de planejar nada...sou o dia de hoje não o de amanhã.

38.Mensagem para as pessoas que admiram seu trabalho?
Gracias! Espero continuar mantendo essa admiração por muito tempo!

39.Sua relação com a internet?
hoje não me imagino sem ela...

40.Acreditas na federalização do estados brasileiros?
Olha...isso é meio complicado, teria que fazer um estudo muito complexo para dirigir uma opinião mais concreta, mas talvez fosse melhor...

41.Pra ti como é encarar as grandes polêmicas que assolam o nativismo, as disputas de poder, as rixas nos Ctgs, discussão do que é bom e do que é ruim e como avalia a nova geração de músicos e compositores que vêm por aí?
Já entrei em muita rusga neste cenário...e a coisa parou onde eu achei que ia parar...o que não tem raiz qualquer vento fraco derruba...as vezes acho que dão muita importância pra pouca coisa e nenhuma importância pra o que tem que dar...só acho que tem muito entendedor que não entende é nada....estão no meio só pelo status...ai é brabo, mas há muito que não esquento a minha cabeça com essas picuinhas...quanto aos músicos, melhoraram sensivelmente em pouco tempo, hoje temos um lote de excelentes músicos e intérpretes nos festivais e grupos....quanto aos poetas a coisa é diferente...no meu entender a música ultrapassou a poesia léguas de distância...precisamos de gente que escreva com fundamento, não que não tenha, mas tem pouco...hoje o índio pega uma caneta e sai mandando letra prá tudo o que é lado, não é assim...

42.Como vês a relação da música nativista com as rusgas das entidades tradicionalistas ?
Acho que a nossa música tá fora dessa peleia...

43. Fala um pouco da tua experiência como jurado, e da triagem aberta?
Já tenho alguma experiência em júri de festival, Reponte, Martim Fierro...bueno, sempre é complicado pois tu ta julgando arte, então sigo o meu gosto...a que eu gostar mais quero que ganhe, só isso. Quanto à triagem aberta, é bom pelo lado de quebrar aquela idéia de que “nem escutam as músicas”, “só vai passar o fulano e o beltrano...” fiz a triagem da Sapecada e conclui que perdemos a metade do tempo escutando trabalhos que eu não escutaria...por exemplo, se pego uma letra que tenha um erro grave ou uma barbaridade qualquer...pode ser a 5ª sinfonia de Bethovem que não vai passar e não adianta, ai tu escuta e todos chegam a mesma conclusão que eu já cheguei antes de escutar...”é não dá mesmo!”



Gracias!!!

http://www.fabianobacchieri.com/

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Guilherme Collares

Bageense, Mestre Veterinário, cantor, compositor, amadrinhador, poeta, professor, etc etc...

É assim Guilherme Collares, multifacetado que hoje vive a sala de aula e no sentido literal da palavra "mestre", contribui mais ainda com o conhecimento, a arte e a cultura. Acompanhem e conheçam um pouco mais desse ser ímpar fronteiriço.

As fotos postadas aqui foram pegas nos álbuns do orkut de Edinho Bergamo e pescadas nas páginas do google. Esta ao acima é do disco Recuerdos lançado em 2008(produção fotográfica de Alexandre Teixeira), parceria de Guilherme Collares e Edinho Bergamo, pela gravadora Vertical. Na minha humilde opinião um dos melhores Cds do ano, sem dúvida.

1.És natural de onde? Idade?
Bagé, RS. Tenho 36 anos.Lançamento CD no Galpão Nativo.

2.Qual sua relação com o campo, cavalo e a cidade grande?
Me criei na campanha. Minha família tem propriedade rural.

3.Suas referências e influências de vida (música, literatura, pessoas)?
Minhas referências na música são Los Cantores de Quilla Huasi, Los Indios Tacunau (Argentina); Los Olimareños, Santiago Chalar e Alfredo Zitarroza (Uruguay); Noel Guarany e Jaime Caetano Braun (RS); Ruben Blades (Panamá); Paco de Lucia (Espanha).
Na poesia, Osíris Rodriguez Castillos, Yamandu Rodriguez, Serafin J. Garcia, Romildo Risso (Uruguay); Olavo Bilac, Lobo da Costa, Augusto dos Anjos e Castro Alves (Brasil); Fernando Pessoa (Portugal); Aureliano de Figueiredo Pinto, Jaime Caetano Braun, Apparício Silva Rillo, Vargas Neto (RS)
Na prosa, Eça de Queirós, Émile Zolá, Sir Arthur Conan Doyle, Érico Veríssimo.
Lançamento do CD no Galpão Crioulo

4.Como começaste sua relação com a música, com a composição?
Comecei a tocar com cerca de 13 anos de idade e a compor com 17 anos. Minhas influências sempre foram o campo e o folklore pampeano.

5.O que te fez escolher a música/ poesia nativista?
Minha origem.

6.O que te incentiva continuar?
Na realidade, muito poucas coisas incentivam... ocorre exatamente o contrário, o desestímulo. A vaidade desmedida, a falta de compromisso com a verdade e o mercantilismo da arte.

7.Como te imaginas daqui a algum tempo dentro cenário musical?
Não faço a menor idéia. Gostaria apenas que meu trabalho fosse lembrado como uma expressão de verdade de meu tempo.

8.Os sacrifícios que já fizeste pela música?
Na verdade muito poucos. Música tem sido um complemento para a alma. Não cheguei a sacrificar nada por ela. Apenas tenho ganho: amigos, parceiros e satisfação para a alma.

9.Te arrependes de ter feito algo ou não ter feito pela música?
Não me arrependo de nada. Sempre penso por muito tempo antes de tomar qualquer decisão em minha vida.

10.Inspirações para compor? Tens algum ritual que te ajuda a compor?
Não. É um processo quase que independente e alheo à minha vontade.

11.Tem alguma música que gostaria de ter feito e não fez, e o que fizeste e tens um carinho especial?
Uma música que gostaria de ter feito: O Laçador de Barro.
As músicas que fiz (no caso as letras), em parceria com Edilberto Bérgamo (melodias), pelas quais tenho mais carinho e refletem muito do que sou, são REMANSO e RECUERDO.

12.O que almeja que sua música alcance?
Nada. Apenas que seja reconhecida com uma pequena expressão de verdade de meu tempo.

13.O que tem ouvido mais nos últimos tempos?
Folklore Argentino e Uruguayo e Sul-Americano (24 horas por dia). Quando afrouxa um pouco o Folklore, escuto Ruben Blades, Paco de Lucia, Adrés Segovia e Raphael Rabello

14.Show que foste - livros que têm lido?
Um show que marcou minha vida foi o de Los Indios Tacunau, que assisti em Durazno (Uruguay), em 1996.
Tenho lido ultimamente os realistas: a obra completa de Eça de Queirós, Émile Zolá, Aluísio de Azevedo.

15.Como vês a influência da música da região do Prata na música nativista? E fala um pouco da tua intimidade com essa música, é natural para ti compor em espanhol?
A interferência da música do Prata na nossa música é praticamente total. Apenas algumas ilhas de folklore português subsistem ainda em nossa música, como a Chimarrita. O resto é todo aporte Platino.
O idioma espanhol, para mim, é tão língua-mãe como o português. Compor parece ser bem mais fácil em espanhol do que em português.

16.Festivais, primeiro festival composição e parceria?
Vertente de Piratini, ano de 1993, DE ESTÂNCIA E SAUDADE, parceria com Zulmar Benitez.

17.Como encaras esse meio ao mesmo tempo aberto, democrático, mas também bastante criticado por certa impressão de “panelas” dos festivais?
Estou totalmente à parte do meio dos festivais. Quando passa alguma música minha ou de um parceiro da qual eu goste, eu vou e toco. Não me envolvo em nenhum tipo de discussão sobre esse assunto.

18.Fala um pouco da tua experiência nessa trajetória dos festivais? Triagens, premiações, e como avalia a tua participação nos festivais que estão iniciando sua estrada, as vezes sem ajuda de custo, outras sem premiação enfim...? Festivais de poesia?! Como poeta e amadrinhador.
Olha, como disse antes. Quando passa alguma coisa minha ou de parceiro da qual eu goste, eu vou e toco. Procuro não julgar mais festivais de música. Os festivais de poesia estão muito escassos. E quanto a festivais com ajuda de custo muito baixo, é difícil a gente participar, pois não se pode investir plenamente nas músicas. Isso é um problema, visto que muita gente ainda nos taxa de merenários.

19.Vencer o bairrismo é algo que inevitavelmente, acontecerá...ou achas que não existe essa diferenciação de estados? Acreditas que algum dia a música mais trabalhada (gaúcha/nativista) alcance um respaldo maior dentro do cenário musical brasileiro?
Não acredito, pois acho que somos diferentes mesmo do resto do país. E, infelizmente, me parece que o restante do país não gosta mesmo de nós, com exceção de Santa Catarina (que julgo igual a nós) e o Rio de Janeiro (que parece que gostam dos gaúchos).

20.Fala um pouco da tua experiência como jurado, estás preparado para críticas?
Sempre estive preparado para críticas, porém, não vindas de pessoas sem moral ou com interesses escusos. E, além do mais, o que gosto de fazer mesmo é tocar com meus amigos e parceiros, ao invés de estar submetido a uma imensa carga negativa(que, normalmente se recebe, sendo jurado).

21.O que pensas sobre a realização de festivais fechados, achas que seria possível fazer um festival apenas de música nativista instrumental, que pensas sobre isso?
Sobre os festivais fechados, não sou a favor, pois pode prevalecer apenas uma minoria. Os festivais abertos, com triagem e variação de júris, permitem que pessoas de novas gerações possam alcançar seu espaço. Quanto a festivais de música instrumental, acho que seria muito importante que ocorressem. Existe um apenas, que o SEIVAL DA POESIA GAÚCHA, em São Lourenço, que possui uma modalidade de música instrumental.

22.Como é a sua relação com os outros músicos de SC e RS?
É ótima... em todas as áreas e todos os estilos. Graças a Deus, não tenho inimigos, principalmente no meio musical.

23.Como é para ti saber que sua música ganha fronteiras além do RS?
É bastante importante, visto que, apesar do regionalismo dos temas abordados, ainda se consegue um pouco do caráter universal necessário a qualquer obra para ser compreendida além fronteiras.

24.Como lida com o assédio que vem naturalmente como resposta ao trabalho que desenvolve? Como é tua relação com os fãs e com os novos músicos?
Olha, realmente eu não muita bola a essas coisas. Atendo todas as pessoas que me procuram da mesma forma carinhosa e imparcial.

25.Viver de música : utopia ou realidade?
Realidade complicada, porém, possível. Teríamos apenas, que ser mais unidos em nossa classe.

26.Qual é a melhor coisa do ambiente dos palcos, dos festivais, rodeios...?
A comunhão sincera da arte. É a única coisa que me interessa.

28.Como vês a divulgação que é feita das músicas em geral, dos festivais? Rádios, gravadoras?
Muito falha. Hoje, o meio dos festivais é cada vez mais restrito ao próprio meio. É uma pena, pois dos festivais, saem trabalhos maravilhosos que mereciam ganhar o respeito da população.

29.Em linhas gerais como avalia a tua imagem e responsabilidade sendo uma pessoa pública e voz para sentimentos de muitas pessoas?
Eu somente espero passar às pessoas minha verdadeira imagem. Simplesmente ser visto como um testemunho de minha época.

31.A ânsia andarilha faz parte desse mundo festivaleiro, que pensas sobre isso; estar sempre na estrada? Como fica o coração nesse caminho? A família?
É bastante complicado. Isso também foi uma das coisas que me fizeram repensar sobre a estrada o tempo inteiro.

32.Acreditas que a música feita hoje sobreviverá à voracidade e volatilidade do mundo de hoje, resistindo e sendo lembrada daqui a algum tempo?
Não faço a menor idéia. Isso, somente o tempo poderá dizer. E a história tem mostrado que esse processo é realmente implacável. Quem merece, fica!

33.Que times torces, comidas, bebidas?
Glória do desporto nacional... INTERNACIONAL. Não bebo nada que contenha álcool e não fumo. Comido é somente para matar a fome.

34.O que te faz sentir de alma lavada?
Muitas coisas... minha família é a principal, a outra é a música.

35.O que te faz sentir-se mal?!
Pessoas mesquinhas, vaidosas e prepotentes.

36.Fala um pouquinho da tua vida fora dos palcos? Fala um pouco da arte de lecionar, da importância dessa vivência de sala de aula? Como você está vendo essa juventude acadêmica que está se formando agora?!
É a outra grande realização da minha vida, outra coisa que me complementa: dar aula. Eu adoro o ambiente com pessoas jovens e cheias de vida e sonhos. Porém, acho a juventude acadêmica um pouco mal preparada (reflexo do ensino em nosso país).

37.Planos pro futuro?
Ver meus filhos crescerem sadios.

38.Mensagem para as pessoas que admiram seu trabalho?
Muito obrigado, do fundo do coração.

39.Sua relação com a internet?
É ótima. Acho que foi um dos grandes inventos do século passado.

40.Acreditas na federalização do estados brasileiros?
Olha, na verdade, mesmo... eu acredito no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.

41.Pra ti como é encarar as grandes polêmicas que assolam o nativismo, as disputas de poder, as rixas nos Ctgs, discussão do que é bom e do que é ruim e como avalia a nova geração de músicos e compositores que vêm por aí?
Essas disputas são altamente prejudiciais a nosso meio. Esse é um dos grandes fatores que nos relegam a um sub-plano artístico-musical.
Sobre os novos compositores, acho uma geração maravilhosa que vem surgindo aí. Sempre costumo dizer que essa renovação pode fazer e faz a grande diferença musical de nossos tempos.

42.Como vês a relação da música nativista com as rusgas das entidades tradicionalistas ?
Acho que isso reflete muita vaidade, soberba e maldade. Rótulos e censuras são marcas de ódio e segregação.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Zé Renato Daudt

´,Fico bastante contente de publicar depois de tanto tempo esta nova entrevista, com um talentoso compositor de letra e música: Zé Renato Daudt. Colecionador premiações nos festivais e um torcedor apaixonado pelo seu Colorado, "sempre..."! Aproveitem e deixem seus comentários.
:)
15ºEstância da Canção, São Gabriel/RS - melhor melodia


1.És natural de onde? Idade?
Rio Pardo/RS, 35 anos, tendo adotado a pequena Lavras do Sul, por opção e coração.

2.Qual sua relação com o campo, cavalo e a cidade grande?
O campo e o cavalo estão ligados a minha vida desde a infância em Rio Pardo/RS onde passava diversos períodos em estâncias de parentes e amigos. Na juventude, já em Lavras do Sul, minha terra de coração, esses laços se estreitaram em função dos costumes locais.

3.Suas referências e influências de vida (música, literatura, pessoas)?
Não sou suscetível a muitas influências, nem tenho muitas referências, sou bem eclético, mas sou fã de várias pessoas, entre elas: Érico Veríssimo, Ricardo Guiraldes na literatura, João Bosco na música. Pessoas?? Acho que admiro muitas, principalmente as de caráter, até porque ninguém é perfeito.

4.Como começaste sua relação com a música, com a composição; Como você vê o fato de morar na região da grande Porto Alegre e o que isso influência na tua composição?
Em 1998, meu parceiro Gujo Teixeira, chegou com metade de uma letra pra me pedir algumas dicas. Acabou que fizemos nossa primeira parceria. Fomos premiados com a música mais popular do 15º Reponte com a composição Milonga Praiana. Já se vão 10 anos.

5.O que fez com que tivesse certeza de seguir a carreira, o que te fez escolher a música nativista?
Não vivo da música nativista, componho por opção e não por profissão, embora tenha o mais profundo respeito e admiração daqueles que vivem da música.

6.O que te incentiva continuar?
Comentários de pessoas que nunca vi e que admiram o que componho, respeito dos demais músicos e intérpretes e uma eterna inquietude de tentar expor o que sinto, penso e vivo.

7.Como te imaginas daqui a algum tempo dentro cenário musical?
Nem idéia. Me imagino compondo da mesma forma como que venho fazendo. Participando de poucos festivais, porém sempre com qualidade.

8.Os sacrifícios que já fizeste pela música?
Nunca fiz sacrifícios pela música, se fizesse, talvez fosse a hora de pensar em parar de compor.

9.Te arrependes de ter feito algo ou não ter feito pela música?
Não, de jeito algum.

10.Inspirações para compor? Tens algum ritual que te ajuda a compor?
Minha esposa, minhas filhas, meus amigos e esse amor enorme pela nossa cultura, suas características e suas peculiaridades.

11.Tem alguma música que gostaria de ter feito e não fez, e o que fizeste e tens um carinho especial?
Várias. O cenário da música gaúcha é muito rico em obras musicais. Podem ser duas?? “Os da última tropa”, Sérgio Carvalho Pereira e “Ainda esses dias”, Gujo Teixeira. Das minhas, ‘À sombra de um cinamomo’, parceria com Joca Martins, tenho um enorme carinho por ela porque foi minha primeira letra ‘solo’ e com ela participamos da 20ª Coxilha Nativista-Cruz Alta/RS e da 30ª Califórnia da Canção-Uruguaiana/RS.

12.O que almeja que sua música alcance?
Alcance pessoas de bem e que parem pra entender o que minhas letras querem ou tentam dizer.


20º Festival de música Crioula de Santiago/RS - melhor letra


13.O que tem ouvido mais nos últimos tempos?
Leonel Gomes, Pirisca Grecco, Fito Paez.

14.Show que foste - livros que têm lido?
O último show foi um da Shana Muller em um projeto bem legal que está acontecendo em Porto Alegre (Segunda Regional). Livro, “Abusado”, de Caco Barcelos.

15.Como vês a influência da música da região do Prata na música nativista?
Salutar. Acho que conceitos retrógrados é que não podem existir. É sempre bom estar atento a culturas de um modo geral, principalmente as que tem tanta afinidade com a nossa cultura gaúcha, como é o caso da música da região do Prata.

16.Festivais, primeiro festival composição e parceria?
15º Reponte da Canção, São Lourenço do Sul/RS, Milonga Praiana (Zé Renato Daudt/Gujo Teixeira/Kako Xavier), interpretação de Kako Xavier e Joca Martins.

17.Como encaras esse meio ao mesmo tempo aberto, democrático, mas também bastante criticado por certa impressão de “panelas” dos festivais? Festivais em SC?
Encaro com muita naturalidade. Essa questão de supostas ‘panelas’ é antiga e jamais vai mudar. Pra mim, o que existe é maior ou menor afinidade musical entre jurados e compositores. Não acredito em beneficiamento de uns em detrimento a outros puramente por sacanagem e ausência de caráter. Prefiro acreditar em afinidades musicais. Acho que as comissões organizadoras é que deveriam deixar claro o que querem do seu festival ao convidar o corpo de jurados. Participei de três festivais em SC: a Sapecada-Lages, Canto dos Desgarrados-Itajaí e Laçada em Brusque. Três terceiros lugares, dois em Lages e outro em Itajaí.

18.Fala um pouco da tua experiência nessa trajetória dos festivais? Triagens, premiações, e como avalia a tua participação nos festivais que estão iniciando sua estrada, as vezes sem ajuda de custo, outras sem premiação enfim...?
Triagem e júri só participei de um, Bateada da Canção Nativa, em Lavras do Sul. Premiações são poucas também, mas muito importantes para mim: Música Mais Popular do 15º Reponte da Canção, Música Mais Popular do 9º Círio de Pelotas, 3º Lugar da 14ª e 15ª Sapecada da Canção Nativa, 2º Lugar e Melhor Letra do 20º Festival de Música Crioula de Santiago, 3º Lugar e melhor melodia na 15ª Estância da Canção em São Gabriel, e agora, semana passada, Música Mais Popular do 5º Aldeia da Música do Mercosul em Gravataí.

19.Vencer o bairrismo é algo que inevitavelmente, acontecerá...ou achas que não existe essa diferenciação de estados? Acreditas que algum dia a música mais trabalhada (gaúcha/nativista) alcance um respaldo maior dentro do cenário musical brasileiro?
Difícil, porém não impossível. O que acho é que não podemos nos prostituir fazendo músicas ditas populares esquecendo de conceitos, valores e qualidade simplesmente para vencer esse bairrismo imposto pela grande mídia nacional. Temos sim é que enaltecer o que fazemos na música nativista há muito tempo. Um dia, na insistência, acho que o resto do país dará valor ao que fazemos.

20.Fala um pouco da tua experiência como jurado, estás preparado pras críticas?
Tive uma única experiência como jurado, mas já deu pra ver a dificuldade que é o desempenho da função. Por outro lado, acredito que a crítica sobre um jurado é normal, costumeira, porém desnecessária. Acho que no momento que uma comissão organizadora convida uma pessoa para julgar o trabalho de colegas ela se torna co-responsável pelo resultado, afinal de contas conhece o trabalho do jurado, suas afinidades musicais e seus parceiros e sabe o que quer de seu festival, qual linha ele deverá adotar. Os concorrentes também têm essas informações, então devem ler conforme a cartilha, mas sempre respeitar o resultado, muito embora às vezes esse seja injusto tecnicamente e de encontro à vontade popular ou mesmo do concorrente.

21.O que pensas sobre a realização de festivais fechados, achas que seria possível fazer um festival apenas de música nativista instrumental, que pensas sobre isso?
Sempre que posso vou a festivais fechados. Renovo minhas idéias e sempre, mas sempre mesmo aprendo alguma coisa que agrego ao que componho. Ano passado fui 1º Lugar do Paradouro do Minuano na parceria de Márcio Nunes Correia e Juliano Moreno com uma obra que provavelmente fora daquele ambiente jamais teríamos composto. Quanto a festivais fechados de música instrumental acredito que seria uma ótima idéia, quem sabe mesclando poesia como, aliás já é feito em São Lourenço do Sul com o Seival da Poesia Gaúcha que não é fechado, mas possui uma linha de poesia e outra de música instrumental.

22.Como é a sua relação com os outros músicos de SC e RS?
De SC é pequena, até porque meu primeiro contato com músicos de SC foi por época da 14ª Sapecada. Agora esses dias o Índio Ribeiro cantou uma obra minha em Brusque. A tendência é que essa relação aumente e melhore a cada dia. Já no RS, a relação é muito boa.

23.Como é pra ti saber que sua música ganha fronteiras além do RS?
Excelente. É muito bom saber que não só no RS as pessoas cultivam raízes e escutam o que compomos.

24.Como lida com o assédio que vem naturalmente como resposta ao trabalho que desenvolve? Como é tua relação com os fãs e com os novos músicos?
Não tenho assédio sobre minha pessoa. Noto muito carinho de um pequeno número de pessoas que admiram o que componho. Procuro compartilhar e sorver desse carinho. Quanto a compositores novos, eu me considero um, pois acho que tenho muito a aprender, mas ao longo dos tempos tenho tentado ampliar minhas parcerias com compositores ainda desconhecidos do grande público e que aos poucos, com certeza, irão conquistar seu espaço.

25.Viver de música : utopia ou realidade?
Pra mim, nenhuma nem outra e sim uma coisa muito distante em virtude do número pequeno de composições e por adorar minha profissão, a advocacia.

26.Fala um pouco da música instrumental gaúcha e brasileira como um todo? Tua visão sobre como ela é vista e aceita pelo público.
Acho que vem melhorando essa visão do público com a música instrumental, porém, às vezes, é mais fácil para o grande público escutar algo mais dançante, mais ‘popular’ do que prestar atenção em melodias bem trabalhadas e de qualidade.

27.Qual é a melhor coisa do ambiente dos palcos, dos festivais, rodeios...?
O contato com parceiros, outros compositores e com o público em geral.

28.Como vês a divulgação que é feita das músicas em geral, dos festivais? Rádios, gravadoras?
Acho que ainda estamos vivendo um período de puro amadorismo nesse aspecto, às vezes até desrespeito com quem trabalha com música nativista. Por exemplo, muitas rádios sequer dão os nomes dos compositores quando rodam uma obra musical, completo absurdo isso. Parece que simplesmente o intérprete foi quem parou, pensou, escreveu o poema, musicou, gravou, etc....todos têm sua parcela de contribuição, então todos têm que ser lembrados.

29.Vais lançar teu trabalho em CD?, fala um pouco dele, das parcerias, gravadora, receptividade do público
...O projeto já existe sim....em princípio de forma independente e com repertório baseado em participações em festivais....parcerias com Gujo Teixeira, Marcelo Oliveira, Joca Martins, Diego Espíndola, Beto Borges, Fábio Maciel....interpretado por diversos intérpretes.....espero que o público goste do resultado.....

30.Em linhas gerais como avalia a tua imagem e responsabilidade sendo uma pessoa pública e voz para sentimentos de muitas pessoas?
Não me considero uma pessoa pública, mas minha responsabilidade é tentar transmitir conceitos e valores que acho importantes para a formação do caráter e da moral das pessoas.

31.A ânsia andarilha faz parte desse mundo festivaleiro, que pensas sobre isso.estar sempre na estrada? Como fica o coração nesse caminho? A família?
É brabo. A distância e a saudade fazem parte desse meio festivaleiro e inclusive são inspirações para composições. Sempre que posso carrego toda a tropa daqui do rancho.

32.Acreditas que a música feita hoje sobreviverá à voracidade e volatilidade do mundo de hoje, resistindo e sendo lembrada daqui a algum tempo?
Com certeza. Tanto é assim que apesar das dificuldades financeiras os festivais cada ano se renovam, surgem letristas, musicistas e intérpretes que seguirão carregando a bandeira do nativismo.

33.Que times torces, comidas, bebidas?
Glorioso Inter (Campeão do Mundo FIFA), churrasco e uma cerveja bem gelada.

34.O que te faz sentir de alma lavada?
Um elogio de alguém que admiro ou mesmo de um desconhecido sobre alguma obra minha, um abraço das minhas filhas, uma vitória num Grenal, tipo esse dos 4x1 desse ano ou pode ser de 1x0 em cima do Barcelona mesmo.

35.O que te faz sentir-se mal?!
Inveja e falta de caráter.

36.Fala um pouquinho da tua vida fora dos palcos?
Sou advogado. Atuo nas áreas trabalhista e cível, inclusive com direito autoral. Moro em Porto Alegre. Sou casado com alguém muito especial. Tenho duas filhas lindas: Isadora e Valentina. Prezo muito minha família e meus amigos. Tenho na música uma válvula de escape muito grande para agüentar as agruras da vida, tanto as minhas como as de meus clientes, pois tenho dificuldade em fazer essa divisão. Sou feliz com o que faço e com o que já conquistei, mas ainda estou engatinhando...

37.Planos pro futuro?
Viver bem. Com paz, saúde e alegria. Participar do Martin Fierro, um dos festivais que nunca tive o prazer de classificar uma composição, participar novamente da Sapecada.


Depoimento à Shana Muller na 15ºSapecada da Canção em Lages/SC,
Zé Renato tem dois terceiros lugares no festival ( 15º e 16º Edições).


38.Mensagem para as pessoas que admiram seu trabalho?
Apesar de compor pouco, componho de alma e coração tentando alcançar quem souber dar valor às coisas mais simples da vida, porém imprescindíveis.

39.Sua relação com a internet?
Boa....ela é minha parceira tanto como ferramenta de trabalho, quanto nas horas de compositor.

40.Acreditas na federalização do estados brasileiros?
Assunto complexo. Existem prós e contras muito definidos. Se por um lado as distâncias de um país enorme como o Brasil prejudicam o crescimento de alguns Estados, por outro, também sou contra a qualquer tipo de preconceito, seja religioso, racial ou que conduza ao isolamento ou segregação.

41.Fala um pouco de Lages, o que te chamou mais atenção, se quiser falar sobre as pessoas, enfim, fica a vontade.
Sempre tive grande expectativa de conhecer Lages em função da Sapecada. Não me decepcionei nem com o festival, muito menos com seu público. Calor humano, respeito pelos artista que estão no palco são atributos que norteiam o povo lageano. Pessoas?? Bah....o Tio Lélo é excelente. Devo muito carinho pelo tratamento que ele dispensou a mim e a minha família quando conhecemos a Fazenda do Barreiro. Como ele mesmo fala...’um VIVA PRO TIO LÉLO’...ehehehe... Espero retornar à Lages e conhecer mais pessoas desse quilate.

42.Pra ti como é encarar as grandes polêmicas que assolam o nativismo, as disputas de poder, as rixas nos Ctgs, discussão do que é bom e do que é ruim e como avalia a nova geração de músicos e compositores que vêm por aí?
Essas polêmicas sempre existiram e sempre existirão. Acho que cada um tem que fazer a sua parte e cuidar do seu próprio umbigo. Bom ou ruim depende do gosto pessoal de cada um, então...Quanto a novos talentos acho que a música nativista ao longo dos anos vem sendo um celeiro e sempre vai ser assim. Nós, brasileiros, somos musicais por excelência.

43.Como vês a relação da música nativista com as rusgas das entidades tradicionalistas ?
Como já referi, acho que cada um deve fazer sua parte, sem se preocupar com preconceitos ou com o que o outro está fazendo. Menos discórdia e controversas e mais ação por nossa cultura.


Abraço a todos, outubro de 2008.
Zé Renato Daudt




sexta-feira, 20 de junho de 2008

"Por isso as vozes que ouço, de tempos imemoriais, são mensagens fraternais, pra quem renasceu agora, por isso minh'alma aflora, em cada coisa que penso, e deixa um rastro de incenso, pra exalar campo afora, e permaneço gaúcho, porque a essência perdura, templa rude, alma pura, que a história conhece a fundo, mesmo pequeno e inundo, de imperfeições deste plano, eu me sinto o ser humano , mais genuíno do mundo... " De estância Alma e Tempo

Eron Vaz Mattos


Externar minha admiração por este poeta, escritor, pela pessoa que é com certeza é cair no lugar comum. Uma pessoa que conseguiu ao longo desse tempo ser unânime, respeitado e admirado por todas as faixas etárias e classes de conhecedores da cultura nativista.~Nunca ouvi um comentário desmerecendo-o. Conhecê-lo pessoalmente sempre foi um desejo, desde que comecei a rascunhar versos, ter tido a honra de passar uma tarde ouvindo e mesmo que por pouco tempo ter entrado no seu universo foi um presente de alto valor.
Divido com vocês um pouco através desta entrevista, intermediada por Alessandro Vaz Mattos, da alegria e da certeza que existem pessoas capazes, competentes e ainda assim donos de uma grande humildade. Sem falar num abração de urso...coisa bem boa!! Gracias Cris e Carla, pela festa que foi Bagé.
.....
Ah! Bagé me espera
Com um olhar de saudade
A mirar da janela
Lá onde xucro se amansa

...
Érlon Péricles



1.És natural de onde? Idade?
Nasci, cm muito orgulho, na localidade de Olhos D’água, interior do município de Bagé a 15/12/1950

2.Qual a tua relação com o campo, cavalo, com a fronteira (região do prata)?
A minha relação com o campo e o cavalo é estreita desde o momento em que nasci, assim como acompanho o folclore da região do prata de longos anos; inclusive atuando como músico até o final da década de 70, principalmente no Uruguai.

3.Tuas referências e influências de vida (música, literatura, pessoas)?
Sempre fui apreciador da boa música independente do gênero; entretanto, construí singular predileção por aquela que identifica o homem gaúcho e seu universo; onde estão inseridos Atahualpa Yupanqui, Osíris Castilhos, Jorge Cafrune, Serafim Garcia, Elias Regules, Romildo Risso, Aníbal Sampayo, Alfredo Zitarroza, Ruben Lena e mais uma infinidade de nomes de imenso valor.Fui presenteado pela Sabedoria Maior com a oportunidade de conviver muito e construir sólidas amizades com pessoas de grande expressão em nosso meio, tais como: Jaime Caetano Braun, Apparício Silva Rillo, Noel Guarani, Glênio Fagundes, Marco Aurélio Campos, Santiago Chalar e Fernando Assunção (do Uruguai), Ramón Ayala e Juan Carlos Pirali (Argentina), etc...,etc...,etc... Sempre envidei os melhores esforços, durante toda a vida na descoberta e aquisição de obras sobre a cultura crioula tanto no RS quanto do Uruguai e Argentina.

4.Como começou tua relação com a música, com a composição?
Por vocação natural; desde a mais tenra infância aprendi alguma coisa no braço do violão e no teclado do acordeon, na condição de autodidata, sem jamais ter sido orientado por alguém e sim tentando copiar aos que eu tinha a oportunidade de assistir tocando.

5.O que fez com que tivesse certeza de seguir escrevendo, o que te fez escolher a música nativista?
Na tentativa de contribuir na construção de uma lucidez maior sobre o dia-a-dia do homem gaúcho e, por óbvio, a escolha deve-se a minha origem rural.

6.O que te incentiva a continuar?
O respeito que tenho pelas pessoas que se identificam com o que escrevo; procuro, sempre, expressar as verdades do meu mundo.

7.Os sacrifícios que fizeste pela música?
São incontáveis; somente os idealistas, em prol da cultura verdadeira, é que sabem do desprendimento, doação e grandeza que se precisa ter para manter um posicionamento isento e edificador; em geral, colhem os frutos aqueles que nada fazem, que são meros sanguessugas e aproveitadores especializados em usufruir do talento de outrem alimentando-se dos frutos maduros das árvores que nunca plantaram.

8.Te arrependes de ter feito algo ou não ter feito pela música?
Absolutamente não, tenho a nítida certeza de haver, até aqui, dado todo o possível para o engrandecimento, da nossa arte poético-musical. Embora tendo a consciência de que a minha contribuição tem sido incapaz de atingir patamares que permitam levar as pessoas a buscar, dentro de si, uma identidade cultural que todos precisariam possuir.

9.Inspirações para compor?
A inspiração é algo mágico, quase misterioso a qual não me sinto capaz de explicar de forma adequada. Consiste, na verdade, de momentos de enorme sensibilidade e elevação espiritual que chega e vai embora sem que possamos segurá-la. Aparece nos horários e lugares mais imprevisíveis e totalmente dissociada da razão ou do pensamento trazendo, comumente, acontecimentos passados que marcaram, indelevelmente, positiva ou negativamente a alma de quem escreve.

10.Tem alguma letra que gostaria de ter feito e não fez, e o que fizeste tem um carinho especial?
Não. Jamais me preocupou a busca de temas para escrever; eles chegam espontaneamente e nos momentos mais imprevisíveis conforme mencionei. Cada composição tem uma razão de ser e nascem de uma necessidade intrínseca que se sobrepõe à razão.

11.O que almejas que teus versos alcancem?
Não possuo nenhuma ambição de qualquer matiz nessa área, mas toda a composição que toque o coração de alguém alcança uma dimensão universal e, isso é, profundamente gratificante para mim.

12.O que tem ouvido mais nos últimos tempos?
Conforme já manifestei, ouço e aprecio qualquer gênero musical desde que tenha qualidade, segundo meu entendimento; entretanto, dou predileção ao folclore sério, verdadeiro, profundo, substancial, que engrandece e eleva a alma humana.

13.Show que foste – livros que têm lido?
Entendo o livro como sendo algo que, mesmo desprovido de voz, nos fala silenciosamente, tudo aquilo que desejamos saber; por isso, se faz indispensável no quotidiano de todos quantos desejam crescer. Estou permanentemente lendo, estudando, pesquisando; a agente sempre tem muito que aprender; apenas não me permito ler ficção. Por maior conhecimento que alguém posso adquirir vislumbrará, a sua frente, um horizonte cada vez mais amplo já que o maravilhoso universo da erudição Possi uma amplitude impossível de ser alcançada integralmente...

14.Como vês a influência da música da região do prata na música nativista?
Com preocupação. Acredito que o conhecimento sobre o universo musical é de fundamental importância para compreendermos melhor o diverso matiz geográfico e histórico que formam o homem gaúcho. Porém misturar esses elementos me parece ser um equívoco maléfico já que possuímos a nossa própria cultura histórica e musical. Todo aquele que se propõe a colocar a sua atividade ou talento em favor da cultura precisa ter a lucidez suficiente para não abalar a sua estrutura essencial que , em última análise, é o patrimônio maior.

15.Festivais, primeiro festival composição e parceria?
Iº Sinuelo de São Sepé com a música “Mulato Ferreiro” e como parceiro, Lucídio Bandeira Dourado.

16.Como encaras esse meio ao mesmo tempo, democrático, mas também bastante criticado por certa “impressão” de panelas dos festivais? Festivais em SC?
Como vês o rumo que as coisas tomaram hoje em dia?Há muitos anos não participo, diretamente, de festivais. Apenas alguns amigos possuem poucas letras minhas que, esporadicamente, põem melodia e mandam para um ou outro evento desses, mas eu nunca assisto; por essa razão, é que não me permito opinar sobre uma coisa da qual estou distante e, óbvio, sem o conhecimento necessário para tal.

17.Fala um pouco da tua experiência nessa trajetória dos festivais? Triagens, premiações?
Jamais me preocuparam as triagens, comissões julgadoras, premiações ...até porque cada festival possui o seu regulamento e todo aquele que se propõe a participar automaticamente está de acordo com o que preceitua esse regramento de cada evento.Sempre defendi que o prêmio maior e mais importante é alguém descer do palco com a convicção de haver apresentando a sua música conforme desejava. Essa é a parte que cabe àquele que compete, tudo o demais está fora do seu alcance.

18.Vencer o bairrismo é algo que inevitavelmente acontecerá? Ou achas que não existe essa diferenciação de estados? Acreditas que algum dia a música mais trabalhada (gaúcha/nativista) alcance um respaldo maior dentro do cenário musical brasileiro?
Não creio. O sentimento nativista está presente em todos os animais superiores, principalmente no homem. Jamais podemos pensar que um estado e seu povo são superiores ou inferiores que outros, entretanto, é necessário admitirmos que são diferentes por múltiplos fatores culturais autóctones; fundamentalmente, em um país com extensão territorial como o Brasil. As pessoas se constroem de acordo com o ambiente onde nascem, crescem e vivem, por isso, acabam criando um vínculo emocional profundo com o seu lugar o que é absolutamente natural em todos os continentes. O vocabulário regional se constitui numa barreira difícil de ser rompida por vários fatores já mencionados, mas nas classes mais eruditas, tenho percebido uma respeitosa aceitação e apreço por parte de pessoas de outras regiões brasileiras com relação a nossa canção.A música que nos identifica, de forma genuína, não possui características que possam torná-la de grande aceitação popular até por ser nitidamente introspectiva e com expressões micro regionalizadas absolutamente peculiares dentro do contexto nacional.

19.Como lida com as críticas, e ao mesmo tempo ser espelho para outros autores? Fala um pouquinho de algumas pessoas como Lisandro Amaral, Sonido Del Alma Gaúcha, e por aí vai?
Em geral as críticas desabonatórias partem de alguém incapaz, sem talento para nada e, principalmente, sem comprometimento com a arte, a cultura e o bem comum, e, sendo assim, não causam nenhum incomodo ou inquietação para mim.Não estou seguro que tenha servido de espelho para outros autores, mas a se confirmar a sua afirmativa, faz-me sentir engrandecido como ser humano...Em relação às pessoas, amigos e parceiros, considero-me suspeito para emitir opinião porque os acompanho desde o início de suas exitosas trajetórias e são pessoas profundamente caras para mim. Mas penso que são destacados talentos que têm enriquecido sobremaneira o patrimônio poético-musical do nosso estado.

20.Como é a sua relação com outros músicos de SC e RS?
A melhor possível, sempre mantive uma relação respeitosa com todas essas pessoas, faz-me bem conhecê-las e aprender com elas. Não faço restrições a ninguém. Todos merecem consideração até que provem em contrário.

21.Como é pra ti saber que teus versos ganham fronteiras além do RS?
Da mesma maneira que me deixa lisonjeado, faz-me sentir uma responsabilidade imensa, coisa que eu jamais imaginei pudesse acontecer até por que nunca escrevi com essa intenção. Os meus pobres versos rurais nascem de uma necessidade intrínseca de expressar a realidade, as expectativas, as dores e alegrias dos meus iguais do campo.

22.Como lida com o assédio que vem naturalmente como resposta ao trabalho que desenvolve? Como é tua relação com os fãs e com os novos músicos? Como vês o futuro da nossa cultura, atuação dos jovens nativistas nesse resgate e perpetuação da tradição?
Confesso que há momentos difíceis, cansativos, porque as pessoas em geral, esperam da gente aquilo que elas necessitam para saciar a sua “sede” e não o que a gente pode dar e, muitas vezes qualificam-nos como seres superiores e não é assim. Somos pobres e imperfeitos mortais, suscetíveis a qualquer sentimento, fragilidade ou necessidade, como todos os demais...Mantenho a melhor das relações com os novos músicos e, quando solicitado, sempre estou disposto a contribuir naquilo que esteja ao meu alcance. Na verdade, eles são continuadores dos objetivos sonhados por seus antecessores...Em relação ao resgate e a perpetuação da tradição, são aspectos que me preocupam sobremaneira de vez que, embora tenhamos talentos de imensa estatura, há uma acentuada necessidade de se estudar muito, muito e refletir ainda mais para solidificar a lucidez sobre quem somos e de onde viemos desde o início do tipo sócio-antropológico “Gaúcho”.

23.Viver de música: utopia ou realidade?
Mesmo sendo difícil algumas pessoas conseguem viver satisfatoriamente tendo a música como atividade profissional.

23.Fala um pouco da música instrumental gaúcha e brasileira como um todo? Tua visão sobre com é vista e aceita pelo público?
Entendo que a música instrumental que possuímos atingiu um nível altíssimo, maravilhoso, mas inexplicavelmente, parece que não conquistou um público significativo como era de se esperar quem sabe por uma questão cultural...
24.Qual é a melhor coisa do ambiente dos palcos, festivais...?
Acredito que o melhor dos festivais está nos bastidores onde se reúnem os autores, músicos, interpretes... É nesses momentos em que as pessoas consolidam amizades, conhecem novos amigos e, nesses lugares a arte atinge uma dimensão singular pela descontração o que propicia um enriquecimento recíproco imenso alcançando uma dimensão espiritual e fraterna de grande expressão.

25.Como vês a divulgação que é feita das músicas em geral, dos festivais, gravadoras, rádios?
Pelo que tenho observado ao longo dos anos, esse é um problema grande significando eis que a distribuição deixa muito a desejar e as emissoras de rádio não rodam as músicas de festivais como deveriam. Apenas o fazem quando conjuntos ou cantores gravam-nas em seus discos particulares. Certamente existem dezenas de belíssimas canções de festivais que são praticamente desconhecidas, quase “inéditas”.

26.Em linhas gerais como avalia a tua imagem e responsabilidade sendo uma pessoa pública e voz para sentimentos de muitas pessoas?
Avalio como uma densa responsabilidade, entretanto não me envaidece.

27.A ânsia andarilha faz parte desse mundo festivaleiro/ artístico. Que pensas sobre isso de estar sempre na estrada? Como fica o coração nesse caminho? A família?
Embora seja cansativo andejar, a estrada ensina muito, é uma das grandes escolas que o homem pode freqüentar. No meu caso, conforme mencionei, há muitos anos estou afastado desses eventos.

28.Acreditas que a música feita hoje sobreviverá à voracidade e a volatilidade do mundo globalizado, resistindo e sendo lembrada daqui a algum tempo?
Conforme já mencionei na resposta a pergunta 22, somente um nível cultural elevado da população sulina poderá fazer com que isso aconteça, caso contrário, poderá ser engolida pela globalização.

29.Lançaste um livro “Aqui: Memorial em Olhos D’água” fala um pouquinho dele, se pretendes fazer outro, distribuição, onde encontrá-lo?
Até o momento possuo três livros editados a saber: - Romance de Estrada Longa, Aqui (memorial em Olhos D’água) e Meu Canto. O livro AQUI, é um ensaio etnográfico da minha região, ilustrado com 236 fotos do quotidiano rural. Penso que essa é a obra da minha vida. Encontra-se esgotado como os demais, embora como alguma possibilidade de reedição mesmo que um tanto remota.Estou com outros três livros prontos para serem editados, porém, acredito que permanecerão inéditos porque é caríssimo editá-los e as pessoas, atualmente, possuem outras prioridades muito distanciadas do conteúdo silencioso dos livros.

30.Acredita numa maior autonomia dos estados, o sul-independente? Como vês a posição das pessoas no sul em relação à política social-econômica diante do país? Mercosul algo que realmente existe?
É uma questão difícil de ser respondida em poucas palavras, mas sou favorável à autonomia maior dos estados. Mercosul nunca saiu do papel lastimavelmente.

31.Fala um pouco de Bagé, tua relação com esse chão, a fronteira, o campo... Ela dentro do estado do RS?
Bagé é uma antiga cidade de campo fundada em 1811 e, sem dúvida possui uma riqueza histórica impressionante e está situada a 60km do Uruguai e mais; hoje, por uma constatação técnica reconhecida a nível mundial, podemos afirmar que esta região fronteriça, mais o território do Uruguai pe parte da Argentina dispõem dos melhores campos naturais do planeta. Este é o meu lugar, a minha querência, meu chão.. Esta fronteira possui elementos mágicos por um amálgama cultural de idiomas, almas, sentimentos, campos largos e céu profundo.

32.Que time torces, comidas, bebidas?
Prescindo de algumas coisas e, entre elas, esse esporte que não faz parte da minha vida, acredito que tenha descoberto coisas bem mais importantes para refletir e tentar crescer espiritualmente.Em relação à comida, me agrada muito o tradicional assado, que erroneamente chamam de churrasco, e uma infinidade de pratos maravilhosos e simples que constituem o dia-a-dia da minha região e de seus habitantes rurais. Não sinto necessidade de comidas requintadas, a melhor das essências reside nas coisas simples.

33.O que te faz sentir de alma lavada?
Muitas situações me satisfazem como ser, quando se faz justiça, quando se pode ajudar alguém, ver triunfarem os que merecem...

34.O que te faz sentir-se mal?
O contrário da resposta anterior.

35.Planos para o futuro?
Não alimento muitas preocupações com o futuro já que, este é sempre uma incógnita. O que realmente tem valor para o homem é sua trajetória vida adentro, sua vivência, sua experiência, seus aprendizados, seus erros e acertos, seus amores... Tudo o que podemos nos valer para ajudar-nos, no presente, está contido no passado que pode e deve ser o grande patrimônio que ser humano precisa edificar para depois usufruir nos momentos adequados.

36.Mensagem para as pessoas que admiram seu trabalho.
Primeiro, o agradecimento sincero e profundo pela valorização e respeito ao que faço, modestamente. Segundo, que todos tenham como meta de vida, a cada novo dia, ser melhor como gente, como ser, como essência vital. Terceiro, que reflitam sobre esta frase imensa do inigualável e saudoso Atauhalpa Yupanqui: “O homem começa a valer quando aprende a entender e respeitar o chão onde pisa.”

37.Tua relação com a internet?
Não tenho acesso.